Ele já estava acostumado com aquele 'trabalho'. Tão acostumado que aquilo era a sua rotina e, por mais incrível que parecesse, também era o seu esporte, sua fonte de diversão. Ele não escondia o sorriso em seu rosto, a não. O sorriso era aberto, ingênuo, escancarado, revelando os seus dentes brancos e toda uma fúria jovial. Júbilo. Frenesi. Naquela dança, ele era o especialista. Ele dançava e o inimigo morria. Seus olhos - dourados - analisaram aquela figura disforme e sombria que avançava em sua direção. Não importava. Era lenta, era frágil. Era uma simples criatura para ser destruída pela lâmina da sua espada. Talvez ela nem merecesse morrer por uma lâmina tão bela.
Um metro e vinte daquele material desconhecido que agora se preenchia com runas douradas, dando um tom único à sua arma. A lâmina não parecia apenas ser extremamente afiada, ela o era. Além disso, um olhar mais observador perceberia que a mesma não continha marcas, como se fosse uma espada virgem. Qualquer um, porém, vendo aquele jovem lutando perceberia que a espada sim havia sido utilizada muitas vezes... pelo menos por ele. A grossura da arma também impressionava, com a sua "parte mortal" possuindo aproximadamente vinte e cinco centímetros de largura. O punho da arma permitia que aquele guerreiro a segurasse com uma ou duas mãos mas, agora, apenas a mão esquerda do mesmo enrolava-se no mesmo. Era dourado e ao longo do mesmo podia-se ver rubis incrustados, dando um caráter magnífico à arma. Na extremidade do cabo oposta à lâmina surgia a cabeça de um leão dourado, rugindo para espantar os seus inimigos. Os olhos do mesmo eram rubis, dando um ar um tanto quanto intimidador à arma. Por último, a guarda da arma - a parte entre a lâmina e o cabo - projetava-se em raios paralelos, desenhando ao mesmo tempo uma lua e um sol dourados. Esmeraldas, rubis, safiras, ágatas e diamantes se projetavam ao longo do desenho, avançando no começo da lâmina - que se alargava perto do cabo.
O corte deixou um rastro luminoso pelo ar, fatiando a criatura como se ela fosse um mero pedaço de papel. Nem uma gota de suor escorreu do guerreiro, enquanto seus olhos dourados vasculhavam o ambiente. Uma, duas, três... as criaturas surgiam ao seu redor, naquele ambiente totalmente branco e gelado. Ele sentia a neve nos seus pés e o frio tentando invadir o seu corpo... mas a chama da batalha invadia o seu coração e o seu corpo com mais força, mantendo-o aquecido. Deu um passo à frente, na direção do primeiro inimigo, sentindo seu pé afundar na neve. O ambiente era silencioso e agora o cavaleiro marchava na direção dos seus inimigos. Cada passo deixava uma pegada na terra e fazia o som do aço ressoar pelo ambiente. O som metálico, quando as juntas da sua armadura chocavam-se uma com as outras.
Seu corpo inclinou-se para frente, enquanto a ponta da espada se projetava para trás do seu corpo, sendo erguida com uma única mão. Os passos se aceleram na neve, quando ele começou a correr, deixando a sua capa levantar pelo ar. O inimigo parecia paralisado de medo, enquanto ele avançava como um guerreiro. Mantinha o sorriso em seu rosto, sentindo o sabor da batalha, da adrenalina e o cheiro do medo e da morte. O golpe descreveu um arco no ar, antes de chocar-se contra a cabeça da criatura, fazendo-a se dissipar em uma nuvem de fumaça. As outras avançaram em sua direção, prontas para pegá-lo desprevenido.
- Patético! - Ele gritou, enquanto a lâmina da sua arma mais uma vez dançava pelo ar, com grande habilidade, destruindo aquelas criaturas. Mas então ele sentiu algo agarrando a sua perna. Um braço, apertando-o com força. No momento em que se livrou do mesmo com um corte, uma das criaturas caiu por sobre o seu corpo, forçando-o a ficar de joelhos. Seus olhos se levantaram e o branco havia virado negro. Estava cercado. Não eram mais apenas unidades, eram milhares daquelas criaturas. Um muro negro.
Medo. Sentiu aquele sentimento surgir em seu coração e se espalhar. Dúvida. Aflição. Cortava e cortava os inimigos, mas, cada vez, eles estavam mais próximos e o seu corpo mais cansado. O que estava acontecendo? Por que estava tão fraco, tão frágil? Concentrou-se e sua espada brilhou, mas a escuridão absorveu o brilho da sua arma. Quando percebeu, o mundo era negro, não mais branco. Seu corpo até brilhava com a sua magia, mas estava engolido pelas trevas. Estava sozinho e não podia ver o inimigo - mesmo com os seus olhos dourados. Sentiu algo agarrar sua perna, algo agarrar o seu braço. Tentou se livrar, mas no meio da escuridão sentiu o desespero. Uma mão agarrou o seu pescoço, começando a sufocá-lo.
Lutou, cortou, mas nada impedia a escuridão de engoli-lo. No momento em que sentiu a espada deixar a sua mão, seu mundo pareceu perdido. Debateu-se. Chutou, socou, mas o peso se mantinha em seu corpo. Foi jogado na direção do chão e se sentiu caindo, caindo, devorado pelas sombras e pelas trevas...
- AAAHHHHH! - Gritou com plenos pulmões e quando viu estava naquele cama de palha e desconfortável. Sentia o seu corpo pesado e o suor escorria pelo lado do seu rosto. Sua respiração estava forte e o seu coração acelerado. Colocou-se de pé rapidamente, mas sentiu-se tonto e apoiou-se na parede.
- Um sonho? - Perguntou a si mesmo, conhecendo a resposta. Mas seria realmente apenas um sonho, um pesadelo? Levou a mão até os seus curtos cabelos negros, parando para respirar. Aquilo tinha algum significado especial? Tinha que continuar vagando, aquilo podia ser um sinal. Ou teria sido apenas uma péssima noite de sono, devido àquela cama naquele local ruim? Qual era o nome mesmo? "Tubarão Perneta", ele pensou. Que péssimo nome para uma estalagem naquela cidade...
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
domingo, 9 de dezembro de 2012
Tempestade de Estrelas
O cheiro de enxofre invadia aquela sala, mas ele já estava acostumado. Suas mãos se abriam por sobre a mesa, enquanto as figuras mágicas dançavam pela superfície de madeira, em um misto entre prata e azul, ressoando com a sua energia mágica. Seus olhos violetas expressavam a mais pura calma e concentração, enquanto um filete de suor escorria pelo lado direito do seu corpo. Estava acostumados com aquele brilho e, por mais que a sua magia intensificasse a sua luz, sua concentração se mantinha impecável.
A sala era um local um tanto quanto limpo e grande, imersa no negro. A mesa encontrava-se no centro, com alguns pergaminhos por cima dela, mas tudo ali estava impecavelmente organizado, fazendo parte do ritual. Encravada na mesma encontrava-se um círculo mágico que, agora, se enchia naquele tom misterioso. Nas duas extremidades da mesa encontravam-se pequenos recipientes - um deles com um líquido vermelho, outro com um líquido verde - e ambos produziam uma fraca cor para iluminar aquele ambiente de um modo um tanto quanto estranho. A escuridão ocultava o resto do aposento, mas olhos atentos revelariam um círculo mágico desenhado onde o Mago se encontrava, cobrindo um raio completo de cinco metros e sumindo na própria escuridão.
Elenion Alagos estava quase colado com aquela mesa, trajando um longo robe negro, emoldurado por detalhes em azul claro. Em sua cintura, um cinto dourado prendia as vestimentas rente ao seu corpo. Naquela escuridão, ele parecia muito mais velho do que era. Parecia ser um alto bruxo, com imenso poder. Sem dúvida, em sua mente, ele tinha esse imenso poder e, em termos de talento, ele deveria ser algum tipo de prodígio. Os olhos violetas mantinham-se fixos em sua magia, dançando hipnoticamente com as imagens que ali se formavam. Seus longos cabelos negros caíam sobre os ombros, constatando com a sua pele extremamente branca. Elenion não devia ter mais do que seus 16 anos... mas a sua experiência com a magia era invejável. Se era no sangue que estava a magia, então Elenion era um abençoado.
O vento soprava forte lá fora, mas, com as janelas fechadas, tudo o que ele podia ouvir era o uivo do invisível. O ritual prosseguiu. O líquido nos dois potes começaram um movimento aleatório, tendo o seu brilho aumentado gradativamente. A cor começava a varrer o ambiente, mas parecia presa em uma esfera de três metros ao redor do Bruxo, já que a sala ainda estava oculta. Calmamente, ele começou a pronunciar palavras em uma língua estranha, enquanto o vento parecia uivar mais e mais alto do lado de fora. O som de um raio cortou o ambiente, enquanto a chuva começou a cair forte e apressadamente. Uma tempestade.
O brilho diminuiu, enquanto os círculos mágicos voltaram à sua expressão sem cor. O ambiente tomou-se de negro, sendo agora apenas iluminado pela luz dos raios que caíam do lado de fora. - HAHAHAHA! - Sua voz gargalhou, cortando o ambiente, ao mesmo tempo em que um novo raio caía, espalhando o som do trovão pelo universo. - Magnífico! Sim, sim, magnífico! HAHAHAHA! Ninguém pode parar o grande Elenion Alagos, o Mago do Universo, o Transmutador de Mundos! Hahahaha! Ajoelhem-se, peões, pois agora vocês hão de ser submetidos ao meu poder... Ajoelhem-se ou pereçam no reino do esquecimento... vermes! - E continuou ali rindo, enquanto o caos em sua mente se fazia presente.
A sala era um local um tanto quanto limpo e grande, imersa no negro. A mesa encontrava-se no centro, com alguns pergaminhos por cima dela, mas tudo ali estava impecavelmente organizado, fazendo parte do ritual. Encravada na mesma encontrava-se um círculo mágico que, agora, se enchia naquele tom misterioso. Nas duas extremidades da mesa encontravam-se pequenos recipientes - um deles com um líquido vermelho, outro com um líquido verde - e ambos produziam uma fraca cor para iluminar aquele ambiente de um modo um tanto quanto estranho. A escuridão ocultava o resto do aposento, mas olhos atentos revelariam um círculo mágico desenhado onde o Mago se encontrava, cobrindo um raio completo de cinco metros e sumindo na própria escuridão.
Elenion Alagos estava quase colado com aquela mesa, trajando um longo robe negro, emoldurado por detalhes em azul claro. Em sua cintura, um cinto dourado prendia as vestimentas rente ao seu corpo. Naquela escuridão, ele parecia muito mais velho do que era. Parecia ser um alto bruxo, com imenso poder. Sem dúvida, em sua mente, ele tinha esse imenso poder e, em termos de talento, ele deveria ser algum tipo de prodígio. Os olhos violetas mantinham-se fixos em sua magia, dançando hipnoticamente com as imagens que ali se formavam. Seus longos cabelos negros caíam sobre os ombros, constatando com a sua pele extremamente branca. Elenion não devia ter mais do que seus 16 anos... mas a sua experiência com a magia era invejável. Se era no sangue que estava a magia, então Elenion era um abençoado.
O vento soprava forte lá fora, mas, com as janelas fechadas, tudo o que ele podia ouvir era o uivo do invisível. O ritual prosseguiu. O líquido nos dois potes começaram um movimento aleatório, tendo o seu brilho aumentado gradativamente. A cor começava a varrer o ambiente, mas parecia presa em uma esfera de três metros ao redor do Bruxo, já que a sala ainda estava oculta. Calmamente, ele começou a pronunciar palavras em uma língua estranha, enquanto o vento parecia uivar mais e mais alto do lado de fora. O som de um raio cortou o ambiente, enquanto a chuva começou a cair forte e apressadamente. Uma tempestade.
O brilho diminuiu, enquanto os círculos mágicos voltaram à sua expressão sem cor. O ambiente tomou-se de negro, sendo agora apenas iluminado pela luz dos raios que caíam do lado de fora. - HAHAHAHA! - Sua voz gargalhou, cortando o ambiente, ao mesmo tempo em que um novo raio caía, espalhando o som do trovão pelo universo. - Magnífico! Sim, sim, magnífico! HAHAHAHA! Ninguém pode parar o grande Elenion Alagos, o Mago do Universo, o Transmutador de Mundos! Hahahaha! Ajoelhem-se, peões, pois agora vocês hão de ser submetidos ao meu poder... Ajoelhem-se ou pereçam no reino do esquecimento... vermes! - E continuou ali rindo, enquanto o caos em sua mente se fazia presente.
sábado, 8 de dezembro de 2012
Tubarão Perneta
"Amei uma donzela doce como o verão!
Seus cabelos tinham cor de mel...
Me afundei em sua paixão...
E os seus beijos me levaram ao céu!"
As notas soavam de um modo doce naquele ambiente, enquanto a voz daquele cantor acompanhava cada uma delas de um modo melódico e calmo. A música era um tanto quanto lenta e ele a pronunciava com emoção, de olhos fechados. Seus cabelos vermelhos caíam sobre os seus ombros, enquanto com as mãos ele habilmente segurava o seu alaúde. Os seus dedos dançavam pelas cordas, produzindo os acordes necessários para acompanhar aquela canção.
A imagem que se produzia ali era um campo verdejante, enquanto uma donzela flutuava a sua volta, com suas roupas de seda róseas, uma coroa de rosas na cabeça, com uma felicidade e uma elegância sublimes. Ela o envolvia, enquanto o bardo permanecia absorto em sua música.
A imagem que se produzia ali era um campo verdejante, enquanto uma donzela flutuava a sua volta, com suas roupas de seda róseas, uma coroa de rosas na cabeça, com uma felicidade e uma elegância sublimes. Ela o envolvia, enquanto o bardo permanecia absorto em sua música.
"E na sua dança eu me envolvi
Cantei, girei, até que eu caí...
Doce, doce veneno!
Longo beijo e agora nem um único aceno!"
A música se tornou mais lenta, enquanto a voz do Bardo agora se espalhava pelo ambiente com uma força maior. Ele girava enquanto tocava o seu alaúde, revelando as suas botas negras, sua calça marrom e a camisa branca de manga comprida que usava, ao mesmo tempo em que um turbilhão vermelho e dourado se formava ao seu redor, culpa daquele "quase sobretudo" que usava. Seus cabelos também acompanhavam o movimento do seu corpo, em parte ocultos pelo grande chapéu dourado e vermelho que repousava em sua cabeça. Seus olhos esmeralda concentravam-se em ponto nenhum, dando um ar misterioso ao artista - amplificado pela máscara que tapava a parte superior do seu rosto, deixando tudo acima do nariz oculto, exceto os seus olhos.
A donzela havia se aproximado, dado um leve beijo em sua testa antes de sair flutuando, distanciando-se. O mundo havia se tornado preto e branco, tocado pelo cinza e pela prata. A grama havia se destruído, se queimado. A coroa de flores caiu no chão, espalhando-se com o vento. A donzela agora revelava um rosto medonho, pálido e fantasmagórico, acompanhado por olhos vermelhos. Logo ela se reaproximou do bardo, como se o atormentasse. O envolvia, girava em velocidade em torno do mesmo, com extrema destreza. Ele permaneceu ali, cantando, ignorando aquela presença ao seu redor, ou pelo menos tentando manter-se inabalável.
A donzela havia se aproximado, dado um leve beijo em sua testa antes de sair flutuando, distanciando-se. O mundo havia se tornado preto e branco, tocado pelo cinza e pela prata. A grama havia se destruído, se queimado. A coroa de flores caiu no chão, espalhando-se com o vento. A donzela agora revelava um rosto medonho, pálido e fantasmagórico, acompanhado por olhos vermelhos. Logo ela se reaproximou do bardo, como se o atormentasse. O envolvia, girava em velocidade em torno do mesmo, com extrema destreza. Ele permaneceu ali, cantando, ignorando aquela presença ao seu redor, ou pelo menos tentando manter-se inabalável.
"Um fim tem tudo o que começa!
Nunca permita que o medo te impeça!
Nunca permita que o medo te impeça!
Aproveite o calor enquanto a chama queimar...
Pois um dia ela irá se apagar!
Pois um dia ela irá se apagar!
Como se comandada pelas palavras do Bardo, uma pequena chama se formou em seu bandolim, antes de aumentar, aumentar e aumentar, envolvendo todo o seu corpo e expandindo-se pelo ambiente. Os mais próximos podiam sentir o calor aumentar, mas logo a chama atacou a Donzela que girou em um arco de fogo, sendo rapidamente consumida. A música lentamente cessou, com as imagens sumindo e o Bardo terminando a sua apresentação. O silêncio tomou conta do lugar por alguns segundos.
- Sou Kairos Argyros, senhores. Kairos das Mil e Uma Canções, se vocês preferirem, ou o Arauto das Palavras... Depositem o dinheiro no chapéu. - Sua voz soava com calma, enquanto seus olhos fitavam a platéia. Tirou o chapéu da cabeça e estendeu ao público. Apenas naquele momento ele viu para que tipo de pessoa tocava. Afinal, ele estava na conhecida taverna "Tubarão Perneta" e tudo o que ele via eram marujos, mal encarados que fitavam-no com suas canecas de cerveja na mão. Eles haviam ficado quietos até agora pela presença da magia e por alguma surpresa, mas agora...
- VIADO! - Gritou a primeira voz. - SUA PUTA! - Gritou a segunda, fazendo coro. E então a confusão começou. Kairos Argyros não entendia porque marujos não gostavam de canções de amor, mas sabia também que o nível de álcool no sangue deles deveria estar excessivo. Um marujo tentou atirar-lhe uma caneca cheia de cerveja mas, com elegância, o Bardo girou o seu corpo, transferindo o seu peso habilmente pelos calcanhares e movimentado-se com leveza, segurando o objeto pela lateral e arremessando-o de volta. O coro aumentava, enquanto a caneca girava no ar, sendo refletida de volta à sua origem. Não se pode ouvir o choque dela na testa daquele homem no meio daquela taverna - o barulho era excessivo com o coro que atingia a sexualidade do bardo, falando que ele deveria tecer um cachecol para o seu esposo - mas o ferimento que se abriu da testa dele, misturando o jorro de sangue com vidro e cerveja, poderia ser visto por qualquer um que olhasse na direção do impacto.
- CHUPA, SEU BABACA! Um Bardo nunca erra o alvo! - Berrou, desnecessariamente provocando os marujos, enquanto fazia uma estranha dancinha, balançando os braços de um lado pro outro com nenhum estilo. Outras coisas foram arremessadas em sua direção. Um outra caneca, apenas esquivada dessa vez, seguida de uma cadeira, que ele saltou habilmente abaixou-se para evitar e, por último, mas não menos importante, um anão. Quando ele viu o anão, ele começou a gargalhar, mas saltou, fazendo com que a criatura passasse também por debaixo do seu corpo. - Vocês precisam fazer melhor do que isso... - Comentou, antes de perceber uma mesa voando na sua direção. Uma maldita mesa. Que tipo de gente jogava mesa nos outros? Bêbados de bar, é claro.
Gritou algum palavrão, antes de pousar no chão e sentir a mesa batendo no seu corpo. Resistiu bravamente ao impacto, mas sentiu a dor espalhar pelo seus braços que ele havia utilizado para bloquear o objeto. Mesmo assim, ele girou, batendo simultaneamente em suas coxas, antes de ser travado. Sentiu o osso quase quebrar e soltou um berro. O bandolim havia parado no chão e ele deu dois passos para trás. Quando a visão se recuperou da dor, viu alguns homens correndo em sua direção. Claro que a pancadaria havia começado no bar, mas o alvo principal era ele. Então... bastante gente corria para bater nele e, depois, roubá-lo.
- A coisa não parece muito boa aqui... Acho que eu terei que usar a minha especialidade: Arte da Fuga. Eu me lembro... - Ele divagava com uma calma sobre-humana, que não fazia sentido nenhum para a situação. O tempo pareceu fluir mais divagar, enquanto ele analisava o ambiente. Bandolim a três passos de distância, inimigos a dez passos. Tempo para ação de aproximadamente três segundos. Rota definida, preparação mental feita e o seu corpo começou a deslizar pelo ar. Com uma cambalhota, pegou o bandolim de volta, já terminando o movimento em um salto e, girando o corpo, acertou o primeiro inimigo com um golpe certeiro no rosto. O segundo passou direto quando tentou socá-lo, como se a imagem do bardo fosse uma mera ilusão, tão rápido que ele se movia. O terceiro levou uma joelhada na barriga, cuspindo cerveja e baba de uma única vez, antes de ser empurrado e cair no chão. O relâmpago vermelho e dourado percorreu o bar, antes de saltar na direção de uma janela, estourando-a com o peso do seu corpo.
Dor, ele sentiu-a se espalhar pelo seu corpo, enquanto o vidro cortava-o, mas a cena havia sido bonita, em sua mente, pelo menos. Sangrando, com alguns pedaços de vidro no corpo, ele agora saía do Tubarão Perneta com algum estilo, assustando as pessoas do lado de fora. Ele estava a quanto tempo do porto mesmo? Não importava muito, porque ele saiu correndo em disparada. Afinal, tinham uns quinze caras querendo bater nele agora. Era bom que ele corresse rápido para longe dali. Sua sorte era que correr era uma das coisas que ele fazia melhor. Ainda mais se fosse de um problema!
- VIADO! - Gritou a primeira voz. - SUA PUTA! - Gritou a segunda, fazendo coro. E então a confusão começou. Kairos Argyros não entendia porque marujos não gostavam de canções de amor, mas sabia também que o nível de álcool no sangue deles deveria estar excessivo. Um marujo tentou atirar-lhe uma caneca cheia de cerveja mas, com elegância, o Bardo girou o seu corpo, transferindo o seu peso habilmente pelos calcanhares e movimentado-se com leveza, segurando o objeto pela lateral e arremessando-o de volta. O coro aumentava, enquanto a caneca girava no ar, sendo refletida de volta à sua origem. Não se pode ouvir o choque dela na testa daquele homem no meio daquela taverna - o barulho era excessivo com o coro que atingia a sexualidade do bardo, falando que ele deveria tecer um cachecol para o seu esposo - mas o ferimento que se abriu da testa dele, misturando o jorro de sangue com vidro e cerveja, poderia ser visto por qualquer um que olhasse na direção do impacto.
- CHUPA, SEU BABACA! Um Bardo nunca erra o alvo! - Berrou, desnecessariamente provocando os marujos, enquanto fazia uma estranha dancinha, balançando os braços de um lado pro outro com nenhum estilo. Outras coisas foram arremessadas em sua direção. Um outra caneca, apenas esquivada dessa vez, seguida de uma cadeira, que ele saltou habilmente abaixou-se para evitar e, por último, mas não menos importante, um anão. Quando ele viu o anão, ele começou a gargalhar, mas saltou, fazendo com que a criatura passasse também por debaixo do seu corpo. - Vocês precisam fazer melhor do que isso... - Comentou, antes de perceber uma mesa voando na sua direção. Uma maldita mesa. Que tipo de gente jogava mesa nos outros? Bêbados de bar, é claro.
Gritou algum palavrão, antes de pousar no chão e sentir a mesa batendo no seu corpo. Resistiu bravamente ao impacto, mas sentiu a dor espalhar pelo seus braços que ele havia utilizado para bloquear o objeto. Mesmo assim, ele girou, batendo simultaneamente em suas coxas, antes de ser travado. Sentiu o osso quase quebrar e soltou um berro. O bandolim havia parado no chão e ele deu dois passos para trás. Quando a visão se recuperou da dor, viu alguns homens correndo em sua direção. Claro que a pancadaria havia começado no bar, mas o alvo principal era ele. Então... bastante gente corria para bater nele e, depois, roubá-lo.
- A coisa não parece muito boa aqui... Acho que eu terei que usar a minha especialidade: Arte da Fuga. Eu me lembro... - Ele divagava com uma calma sobre-humana, que não fazia sentido nenhum para a situação. O tempo pareceu fluir mais divagar, enquanto ele analisava o ambiente. Bandolim a três passos de distância, inimigos a dez passos. Tempo para ação de aproximadamente três segundos. Rota definida, preparação mental feita e o seu corpo começou a deslizar pelo ar. Com uma cambalhota, pegou o bandolim de volta, já terminando o movimento em um salto e, girando o corpo, acertou o primeiro inimigo com um golpe certeiro no rosto. O segundo passou direto quando tentou socá-lo, como se a imagem do bardo fosse uma mera ilusão, tão rápido que ele se movia. O terceiro levou uma joelhada na barriga, cuspindo cerveja e baba de uma única vez, antes de ser empurrado e cair no chão. O relâmpago vermelho e dourado percorreu o bar, antes de saltar na direção de uma janela, estourando-a com o peso do seu corpo.
Dor, ele sentiu-a se espalhar pelo seu corpo, enquanto o vidro cortava-o, mas a cena havia sido bonita, em sua mente, pelo menos. Sangrando, com alguns pedaços de vidro no corpo, ele agora saía do Tubarão Perneta com algum estilo, assustando as pessoas do lado de fora. Ele estava a quanto tempo do porto mesmo? Não importava muito, porque ele saiu correndo em disparada. Afinal, tinham uns quinze caras querendo bater nele agora. Era bom que ele corresse rápido para longe dali. Sua sorte era que correr era uma das coisas que ele fazia melhor. Ainda mais se fosse de um problema!
sábado, 1 de dezembro de 2012
Asas da Liberdade
Asas da Liberdade
Aquele era um excelente dia para os seus planos. Seus olhos negros fitavam o céu azul, enxergando as pouquíssimas nuvens brancas que dividiam espaço com o grande e dourado sol. Podia sentir os raios do astro rei aquecendo o seu rosto, como o leve toque de uma donzela. O vento soprava calmamente, fazendo-o se sentir bastante confortável. Levou a mão até o emaranhado de cabelos negros em sua cabeça, sentindo o efeito da água salgada neles. Seus ouvidos percebiam o barulho das ondas chocando-se naquele velho cais, assim como o barulho da madeira rangendo. Nem sentia o seu corpo balançando de um lado para o outro, junto com o mar.
- Capitão Pidgeon, toda a carga foi colocada na embarcação! Falta apenas essa parte que você está em cima! - A conhecida voz daquele marujo soou. John fitou-o de cima das grandes caixas de madeira que estava sentado, abrindo um sorriso e revelando os seus dentes meio amarelados pela não tão boa higiene mas igualmente amarelados por causa do rum.
Sem falar mais nada, colocou-se de pé, botando mais uma vez o seu desproporcional sobretudo vermelho por cima do corpo, antes de, em um único salto, sair de cima da caixa. Caiu no chão com leveza, mas fez bastante barulho ao se chocar na madeira do pier e, por um momento, pensou que ela quebraria.
- Certo, certo. Pode colocar o restante na embarcação. Avise-me novamente quando vocês tiverem terminado. - Respondeu calmamente, exibindo um pequeno sorriso ao marujo. Sua voz era firme, mas falava devagar, sem pressa alguma. A verdade era que John Pidgeon era bastante novo, para o trabalho que ele fazia.
Não devia ter mais do que os seus vinte e seis anos, mas os seus traços faziam-no parecer até alguma coisa mais novo. De fato, se não fossem as vestimentas de Pidgeon, ele seria apenas um jovem arruaceiro. O fato era que era um jovem arruaceiro que gostava bastante de rum. Um capitão aprendiz, um jovem pirata... como ele se autodenominava se diferenciava de acordo com o momento. Era estranho ver como um marinheiro já experiente podia ter aquela aparência tão naturalmente jovial.
Era alto, porém. Devia ter próximo de dois metros de altura, pesando por volta dos noventa quilos. Seu cabelo era negro e bagunçado, difícil de pentear porque constantemente ele mergulhava na água salgada e não se importava muito com a própria higiene. Por baixo daquela camisa e calça negras e do sobretudo vermelho, John escondia um corpo bem definido, mãos calejadas e alguns tipos de cicatrizes que um pescador podia arranjar ao longo da sua vida. Orgulhava-se daquela que mostrava marcas da sua batalha contra o "Peixe-Espada da Lâmina Sangrenta". Era um homem do mar, um homem de sal. Sua vida era sempre navegar. Além disso, exalava naturalmente um cheiro de rum que se misturava com o cheiro do mar. Alguns, inclusive, lhe chamavam de "John Fígado de Aço" ou "Capitão Rum". Ele até gostava da reputação que tinha - ou simplesmente não se importava o suficiente.
Respirou profundamente, avistando a beleza que era a sua embarcação. Sim, claro, ele praticamente vendeu um rim para obtê-la. Sim, claro, ele estava atolado em dívidas. Mas, sim, claro, aquele era o seu barco, a sua moradia, a sua propriedade. Os tempos eram difíceis, mas ele havia decidido arriscar. Havia decidido navegar, mais uma vez. Desde que sua última embarcação havia sido destruída em uma tempestade e ele havia perdido quase tudo, ele teve que recomeçar. Reconstruir.
Havia decidido seguir uma velha ideia. Navegar pelo mundo, viajar para todos os lugares, sem rumo. Mas, para isso, precisava de dinheiro. Tinha que fazer negócios. Tinha que enxergar oportunidades. Portanto, precisava reunir o grupo de pessoas com o mesmo sonho que o dele, com os mesmos objetivos. Juntos, poderiam aproveitar a companhia um do outro - mesmo que temporária - para lucrar e crescer.
Asas da Liberdade, esse seria era o nome do seu novo navio. Asas que o permitiriam voar. Mas, na Asa, ainda faltavam as Penas. Estava praticamente sozinho. Precisava encontrar uma nova tripulação. Precisava encontrar novos amigos. Apenas junto de outras pessoas, ele sabia, a Asa poderia ter penas suficientes para voar. Cada uma delas era importante e precisavam trabalhar juntas, em harmonia.
E encontrar pessoas potencialmente leais era uma tarefa complicada. Ele havia conseguido juntar um pequeno grupo para ajudar a embarcar as mercadorias, mas eles não o ajudariam na navegação. O pequeno barco que possuía podia ser operado por uma pessoa só, mas o companheiro de viagem era uma coisa importante, para evitar o tédio e os perigos do oceano.
- Onde está aquele maldito bardo? - Pensou, respirando profundamente. Seus olhos fitaram os "marujos" colocando as mercadorias na embarcação. Faltavam apenas alguns minutos antes de partir. E o seu companheiro de viagem ainda não havia aparecido. Malditos fossem os bardos e as suas lorotas.
Respirou profundamente, avistando a beleza que era a sua embarcação. Sim, claro, ele praticamente vendeu um rim para obtê-la. Sim, claro, ele estava atolado em dívidas. Mas, sim, claro, aquele era o seu barco, a sua moradia, a sua propriedade. Os tempos eram difíceis, mas ele havia decidido arriscar. Havia decidido navegar, mais uma vez. Desde que sua última embarcação havia sido destruída em uma tempestade e ele havia perdido quase tudo, ele teve que recomeçar. Reconstruir.
Havia decidido seguir uma velha ideia. Navegar pelo mundo, viajar para todos os lugares, sem rumo. Mas, para isso, precisava de dinheiro. Tinha que fazer negócios. Tinha que enxergar oportunidades. Portanto, precisava reunir o grupo de pessoas com o mesmo sonho que o dele, com os mesmos objetivos. Juntos, poderiam aproveitar a companhia um do outro - mesmo que temporária - para lucrar e crescer.
Asas da Liberdade, esse seria era o nome do seu novo navio. Asas que o permitiriam voar. Mas, na Asa, ainda faltavam as Penas. Estava praticamente sozinho. Precisava encontrar uma nova tripulação. Precisava encontrar novos amigos. Apenas junto de outras pessoas, ele sabia, a Asa poderia ter penas suficientes para voar. Cada uma delas era importante e precisavam trabalhar juntas, em harmonia.
E encontrar pessoas potencialmente leais era uma tarefa complicada. Ele havia conseguido juntar um pequeno grupo para ajudar a embarcar as mercadorias, mas eles não o ajudariam na navegação. O pequeno barco que possuía podia ser operado por uma pessoa só, mas o companheiro de viagem era uma coisa importante, para evitar o tédio e os perigos do oceano.
- Onde está aquele maldito bardo? - Pensou, respirando profundamente. Seus olhos fitaram os "marujos" colocando as mercadorias na embarcação. Faltavam apenas alguns minutos antes de partir. E o seu companheiro de viagem ainda não havia aparecido. Malditos fossem os bardos e as suas lorotas.
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