Agora que eu estou (finalmente) finalizando a minha graduação, achei natural fazer uma pausa para analisar o que valeu (e também não valeu) a pena durante a graduação na UFRJ. Claro que é uma análise sobre a minha perspectiva de estudante de Engenharia Eletrônica e Computação, mas acho que facilmente se aplica, na essência, para os outros cursos. Dessa forma, a intenção desse post é tentar listar os pontos fortes e fracos da faculdade e como eles, direta ou indiretamente, contribuíram para o meu crescimento e aprendizado ao longo desses 5 anos. São coisas simples que, agora, eu quero registrar para no futuro ver se elas fizeram diferença ou não. Vamos lá!
1) Os professores bons são realmente bons - Isso parece óbvio, e talvez realmente seja. Quando tiramos os professores que estão ali para fazer número e os que não foram demitidos simplesmente porque são funcionários públicos em um país que é basicamente impossível ser demitido sendo funcionário público concursado, sobra aqueles que são capazes de fazer a diferença, que enfrentam as dificuldades, as limitações e são capazes de transferir o conhecimento para os seus alunos. Esses então são responsáveis por fazer aquelas pequenas guinadas no meio da faculdade em que você fala "essa aula valeu a pena" ou "realmente deu para aprender algo". Acho que a mensagem deles é: não importa onde você esteja, você é capaz de fazer a diferença.
2) Os professores ruins também tem (muito) a ensinar - Além do fato deles lentamente te ensinarem a odiar pessoas de alto escalão que simplesmente estão ali para cumprir número e começar a se questionar como uma pessoa dessa consegue se manter com um emprego, eles ensinam uma lição preciosíssima: aprenda a se virar sozinho. Seja cobrando muito em provas nas quais eles simplesmente usam as aulas para bater papo ou simplesmente sendo eles mesmos (isso é, criando dificuldades para coisas que não precisam ser difíceis), eles são capazes de construir tanto uma insatisfação eterna quanto uma vontade de ser independente. A primeira oferece um senso crítico aguçado e também um senso de justiça: Você já vai ter se ferrado tanto que talvez não vá replicar quando for a sua vez de comandar algo; o segundo faz com que você não fique passivo frente aos obstáculos e sempre busque um caminho.
3) Burocracia e Burrocracia - Com o tempo, você também aprende a diferenciar o primeiro (que é necessário e parte da brincadeira) com o segundo (que está lá apenas para alguém não trabalhar). Você entende que tem pessoas que vão simplesmente apenas criar dificuldades, ao invés de propor soluções. E, se tudo der certo, você passa a ser do grupo que procura caminhos, ao invés de problemas. E, no longo prazo, isso deve fazer alguma diferença.
4) Execução - Por ser muito cobrado, acho que você se acostuma a não fazer coisas simples, a entregar pouco. Você aprende a sempre tentar fazer uma coisinha a mais, dar um detalhe especial, se esforçar um pouquinho a mais. Assim, eu acredito que a diferença final envolva muito a qualidade, se você não perder o foco de atacar objetivamente os problemas. Por ter sido treinado com um grau de desafio grande, quando você enfrenta problemas "mundanos", vai estar mais bem preparado.
Dessa forma, apenas espero que os anos tenham valido a pena para criar o que tanto gostam de falar de "diferencial". Em breve vou descobrir a verdade.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2015
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Empresa Júnior: Auger

Uma das oportunidades de aprendizado que eu tivesse ano foi participar de uma Empresa Júnior (EJ) na sua fase inicial. A EJ do curso de Nanotecnologia da UFRJ estava de braços abertos à novos membros e, vendo oportunidade de fazer parte desse grupo, eu decidi embarcar. Antes de falar o que eu fui fazer lá, tento explicar rapidamente qual é a ideia de uma EJ.
A essência de uma EJ é oferecer uma nova experiência ao aluno na sua época da graduação, aproximando-o de uma empresa focada especificamente na sua área de estudo com o intuito de aprendizado tanto em nível técnico quanto em nível gerencial. Uma EJ quer ser um motor para que os alunos desenvolvam o seu senso de empreendedorismo e sejam capazes de formular ideias próprias e seguir caminhos únicos, diferentes dos mais comuns.
Desse modo, procurando ter uma nova experiência de crescimento, decidi embarcar nessa jornada. Como eles estavam precisando de pessoas para trabalhar e eu estava interessado em trabalhar, pode-se dizer que o processo de recrutamento foi bem rápido. Logo eu já estava sendo apresentado à Auger para decidir onde eu poderia ajudar.
Acabei indo trabalhar na área da Qualidade, organizando e dando o pontapé inicial o que seria o Sistema de Gestão de Conhecimento (SGC) utilizado pela EJ no primeiro momento. Posso dizer que o trabalho foi extremamente agradável, talvez porque eu goste de organizar as coisas metodicamente.
A ideia de desenvolver o SGC é manter, apesar da rotatividade dos membros da EJ, o conhecimento e experiências dentro dela, de modo que qualquer um poderia virtualmente consultar o que aconteceu no passado e ter alguma espécie de "norte" em relação aos processos, projetos e práticas. Isso, claro, envolve mais ou menos definir o molde de tudo que está lá dentro. E, como isso não é uma coisa que comumente você faz em uma Iniciação Científica ou em um Estágio, exige que você pense de modo diferente. E é aí que justamente mora o lucro da experiência, o lucro de aprender alguma habilidade diferente que pode ajudar em algum momento no futuro.
Entretanto, devido ao fato da EJ ainda ser relativamente pequena, o contato com outras áreas existia de modo bem constante. O brainstorming derivado dessa situação é, portanto, também positivo, caso você decida se envolver e participar da situação. Discutir ideias é sempre proveitoso para todos os lados: Se você estiver errado, você aprende; se você estiver certo, faz toda a comunidade crescer com suas ideias. Essa troca é um dos pontos mais positivos de toda a EJ.
Registro, então, que minha experiência na EJ, apesar de curta (apenas 6 meses), foi extremamente proveitosa. Adicione a isso os contatos formados, o aprendizado sobre uma outra área e a vivência em uma comunidade diferente e você tem um prato cheio de experiência para aprender e crescer. Coloque a mão na massa, aprenda e se desenvolva. Fuja da mesmice e pense grande.
PS: Se interessou sobre a Auger? O facebook deles é esse, ó: https://www.facebook.com/AugerNanotecnologia
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