sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Two weeks gogogo!

Não querido leitor, pode ficar tranquilo, não começarei a fazer posts em inglês e francês (apesar que seria divertido e interessante para treinar ambas as línguas). Estou aqui para contar as minhas primeiras 336 horas (ou 14 dias) de intercâmbio! Então senta aí, relaxa e pega a pipoca que as lições vão começar.

- No meu primeiro dia, eu fiquei umas 2h sozinho. Ninguém para ajudar. Sem internet. Frio do demônio (não estou reclamando, mas ir do 40º C para -15º C [ou -20º C com ventinho!] exige colhões!). Ficar sozinho é uma merda, mesmo que por pouco tempo. Entendi isso agora perfeitamente. Ainda mais quando você está em um lugar novo. Isso acabou fazendo com que eu rapidamente ganhasse grande estima pelos amiguinhos da McGill. Lição #0: Você faz amigos rápidos em tempos de 'dificuldades'.

- Lição #1: Alguém sempre tem problemas piores que os seus. E quando eu digo isso eu quero dizer que enquanto eu estava "MIMIMI ESSA AULA VAI DAR MUITO TRABALHO E QUERO MAMATA" tinha gente procurando casa para alugar e ficar. Enquanto eu tenho o abençoado meal plan, tem gente contando quanto de dinheiro vai gastar por mês para comer (e eu estou no "foda-se, se estiver acabando estou gastando muito menos que o previsto e poderei compensar"). O mundo é injusto... aprenda a lidar com isso.

- Lição #2: Algumas vezes, você pode ser bom demais para executar os seus planos. Soa arrogante, é arrogante, mas foi o que aconteceu quando eu tive que fazer o teste de nivelamento de francês. Peguei aula boa, do final, de 6 créditos, que iria sobrepor o meu horário. French for beginners is for noobs! A parte ruim é que eu só vou poder treinar francês na rua e nas baladas. Que chato. =\ [ironia] Talvez eu conseguisse ir para alguma francófona... HAIUAHIUAHIUAHAIUHAIUHIUAHU! [risada insana e irônica]

- Lição #3: Você precisa fazer o que é melhor pra você, não o que os outros querem. Não, fiquem tranquilos, não estou falando sobre a erva do capeta ou algo do tipo! É que supostamente não gostam que façamos cursos de língua... mas também não é proibido. Logo, como eu estava procurando um quarto curso não-insano, francês entraria fácil nessa jogada! Mas a Lição #3 quebrou as minhas pernas.

- Lição #4 : Você está sozinho, por mais que as pessoas ao seu lado queiram te ajudar. Complemento da lição 3. Vire-se sozinho, ou congele no inverno. O lobo que sobrevive é o forte e solitário! :D

- Lição #5 : O tempo é curto e longo, ao mesmo tempo. Curto, porque as oportunidades vem e somem e, se você não aproveitá-las, elas nunca voltarão. Longo porque você não precisa fazer tudo ao mesmo tempo. Ache o meio termo entre a paciência e a pressa e tudo ficará bem!

Só 6? Eu achei que tinham sido mais, mas nem tudo deve estar coberto aqui. É um jogo de responsabilidades e de saber se virar... E, até agora, essas duas semanas foram extremamente divertidas. Que o intercâmbio continue!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Abrir as Asas




Eu pensei que meu primeiro post no Canadá seria descrevendo toda animação e experiência até agora... mas... não tem tempo! Agora estou aqui sentado, esperando para ver se mais uma aula da tarde minha começa. Tentando resumir tudo em meus 9 dias aqui: Muito divertido, muitas coisas para fazer e muitas coisinhas para resolver.

Frio? Neve? Sinceramente isso não tem me incomodado nem um pouco! É só vestir as roupas adequadas, evitar ficar no vento (ele é o problemático da história!) e tudo fica na boa. Bônus: você não sua e não fica fedendo (mas tome banho, por favor). Além disso, neve pra mim parece magia. Os floquinhos dançando e caindo... dane-se o frio e "la merde blanche" e o fato de ser "enchente sólida". É belíssimo.

Eu costumo brincar aqui que cada prédiozinho tá numa competição para ver quem é o mais bonito. Parece que cada pessoa, ao construir o prédio, tentou fazê-lo ser mais bonito que o do lado... É impressionante a quantidade de detalhezinhos nas casas e construções... Ou eu devo estar viajando porque estou no Canadá mesmo.

Além disso, ainda quero fazer uma guerra de neve... ou, melhor ainda, um "Capture the Flag". Bandeiras: Canadá e de Québec, porque existe aquela rivalidade separatista (não tão perto quanto já foi antigamente)... ou até mesmo usar as bandeiras das universidades.

Isso me lembra que achei um shopping da McGill. Comprarei tudo de lá e vou voltar cheio de muamba para o Brasil. Isso é um fato.

Muitas coisas para fazer, muitas coisas ainda por organizar... Cheguei em Montréal e agora essa será a minha vida por um ano. Não vou deixar de aproveitá-la. :)

Abraços e até mais!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Por que eu gosto de videogames? Parte II

BANG!

Você acorda numa espécie de quarto, sozinho. Sua cabeça dói. Você está meio tonto, mas se levanta. Você começa a examinar o lugar. Uma beliche, um espelho, um pequeno armário, uma maleta sobre a cama. A maleta está fechada.

Você se aproxima da porta e toma um susto. BANG!

Um grande 5, pintado em cor vermelha - realmente parecido com sangue - está escrito por cima da porta. Ela está trancada. Perto da fechadura, existe uma espécie de leitor de cartões. Nesse momento você percebe que em seu pulso existe uma espécie de relógio com um grande "5" desenhado. O que tudo aquilo significa?

Imerso nas dúvidas, você ouve o barulho de vido estourando. A única janela do seu quarto - que mais parecia uma escotilha - estourou! E agora, a água jorra para dentro do seu quarto. Você tem no máximo cinco minutos para escapar...

Mas uma memória volta para a sua mente: Você estava em seu quarto, sozinho, preparando-se para dormir, quando ouve o barulho de vidro quebrando. Lentamente, uma fumaça branca toma conta do lugar e tudo o que você vê é um indivíduo com uma máscara de gás andando na sua direção...

É assim que um dos meus jogos preferidos, 999: Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors começa! Esqueçam aquela coisa de apertar botões loucamente, de pegar os equipamentos certos para o personagem ficar forte... o foco aqui é totalmente a história. Como vocês podem ver, o jogo tem uma brincadeira com os números... vamos falar um pouco sobre o enredo.

Você é Junpei, um estudante japonês que foi sequestrado por um indivíduo denominado "Zero" para participar do "Nonary Game". Mas, peraí! Você descobre que não está sozinho no jogo! Existem outras oito pessoas, totalizando nove e adivinha só... Cada uma carrega um relógio que nem o seu, mas com números entre 1 e 9! E, logo no começo, você encontra outras duas portas, com dois números diferentes!

O jogo funciona da seguinte maneira: Grupos de 3 a 5 pessoas devem ser formados para abrir as portas e atravessar os desafios de cada sala, até elas encontrarem a porta com o número 9 para sair. Mas aí tá um detalhe legal: Para abrir a porta 7, por exemplo, a soma dos dígitos dos participantes deve ser "7". Um exemplo seria o time com o "3, 4 e 9", já que 3+4 = 7 + 9 = 16 => 1 + 6 = 7! Como formar o time certo para atravessar a sala, superar o desafio e ainda abrir a porta 9 no fim?

9 pessoas, 9 portas... E você ainda tem só 9 horas para escapar!

Por que aquelas pessoas estão ali? É uma das primeiras perguntas que você se faz.
Qual a relação delas com o jogo? É mais uma.
Posso confiar nessas outras pessoas? Você se pergunta isso durante o jogo todo!

Da esquerda para direita: Lótus (8), Seven (o grandão, 7), Santa (3), June (6), Junpei (5), Ace (1), Snake (2), Clover (4) e O Nono (9). Em quem você pode confiar? Julgará pelas aparências? Boa sorte...

É muito difícil não dar spoiler sobre o jogo, já que o foco dele é realmente na história!

Uma curiosidade sobre o Léo: Ele se RECUSA a ficar jogando videogame até tarde. Ele prefere ir dormir. Para esse jogo, eu tive que abrir uma exceção. Enquanto estava no final dele, eu devo ter jogado das 18h até as 2h da manhã, porque cada MALDITO SEGUNDO tinha uma reviravolta e revelação na trama, de tão sinistra que ela estava. Cada personagem tem uma história envolvendo algum aspecto do jogo Nonário...

Por exemplo, logo no começo você descobre que você está em um navio que está afundando! Mas peraí... não é um navio qualquer... é o TITANIC. Okay, okay, não é o Titanic, é um "navio irmã" dele, o chamado Gigantic, que foi inclusive utilizado na primeira guerra mundial. Sabiam desse papo de "navio irmã" ? São navios fabricados no "mesmo molde", mas que são usados de maneira diferente... Se tu acha que é sacanagem minha, acesse o link e leia!

O jogo começa a misturar a "parte do jogo" com um pouco de "história real", o que, na minha opinião, dá um ar muito mais divertido ao jogo. E essa é só a primeira das "coincidências" que a trama começa a lançar... Querem mais um exemplo? Já ouviram falar da história da múmia do Titanic? É pessoal...

O jogo então, começa a misturar essas "lendas urbanas", com um pouco de ficção (já ouviram falar sobre ICE-9, o gelo que derrete apenas a 45ºC ?), misturando tudo de uma vez só, jogando na trama e usando isso para pouco a pouco fazer uma história bem encaixada e complicadíssima de ser explicada...

Eu poderia tentar falar mais, muito mais sobre o jogo, descrever cada personagem, suas ligações, mas o que eu recomendo mesmo é jogar o jogo. Ele segue o estilo "visual novel" (algo como uma história que você vai simplesmente acompanhando e tomando as decisões) e não é preciso ser um hardcore player para se dar bem nele. Afinal, é bem comum que, por pegar um caminho errado na história, você morra algumas vezes.

Esse, aliás, é o único pronto que eu critico no jogo: Quando você pega um caminho errado e acaba morrendo no fim, você meio que desanima... Eu pessoalmente tive a sorte de fazer o "caminho bom" e o "caminho verdadeiro" antes de me divertir vendo como o personagem morria nos finais "errados".

Aliás, o modo como a história é contada é sensacional. A narração do jogo realmente faz você se sentir dentro do jogo, a trilha sonora é muito boa, os momentos de tensão são sensacionais, além da evolução dos personagens encarando aquela complicadíssima situação para sobreviver... A única parte negativa é que os quebra-cabeças podem ser meio chatos, do tipo "isso aqui tá ficando chato já", mas é pensado de modo que os personagens vão te ajudando, em caso de dicas, caso você comece a demorar muito!

Joguem, joguem e joguem! Recomendo! Afinal, restam apenas 9 horas!

PS: Tenham medo da Clover.

PS2: Para vocês terem noção, o jogo não é "Jogos Mortais"! Lá pro final do jogo, depois de conhecer a história dos personagens, você percebe que o menos importante talvez seja o objetivo de "sair do Navio", mas sim "descobrir toda a verdade que cerca o Nonary Game".

PS3: Se for jogar, prepare-se para ser apresentado à teorias científicas um tanto quanto interessantes.

X - Roda da Fortuna


A carta número 10. O Destino, a Sorte, o Acaso. O Início, Meio e Fim. A Roda da Fortuna representa as guinadas que o destino toma de vez em quando: O que está em cima cai, o que está embaixo sobe. As engrenagens do universo se movem, presas uma a outra, em um constante e imprevisível fluxo.

Essa também é uma das minhas preferidas (claro, eu só falo das minhas preferidas!). Pra mim, ela nos diz algo como "Não importa se você está no alto ou embaixo. Uma hora você vai cair ou vai subir. Você não pode impedir o giro do destino." Isso, porém, não significa que não podemos usar do momento o melhor possível para nós. Enquanto estiver em cima, aproveite o máximo. Enquanto estiver embaixo, evolua ao máximo. Faça seus voos serem altos e suas quedas serem baixas e, no fim, seus altos e baixos oscilarão muito acima dos da maioria! Afinal, se você ficar parado, prepare-se para cair muito e subir pouco...

Agora, faltando dois dias para a minha viagem para o Canadá, eu vejo que nos últimos tempos a Roda do Destino tem girado freneticamente para mim... Se o universo tá conspirando alguma coisa ao meu favor, me dando oportunidades e desafios, então eu vou pular dentro desse fluxo e guiá-lo de acordo com a minha vontade (carta da Força, por favor!) e fazer os meus planos funcionarem talvez com um pouquinho de talento (Mago!). Agora essa nova jornada vai começar... hora de encará-la de frente.

Aliás, pelo que eu li, quando a Roda da Fortuna aparece, ela quer basicamente dizer "Espera que os planos vão se concretizar."  Algo como seus planos renderão frutos. É sempre um bom presságio!

Ansiedade é uma porcaria, mas controlar é extremamente complicado. Está perto, muito perto. Hora de arrumar as malas!

Que as engrenagens do destino continuem a se mover!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Conto Natalino

Era um agradável dia de inverno naquela cidadezinha. Por agradável entenda que nevava bastante. Lá onde os flocos de neve se formavam, nas nuvens de algodão fofas e quase comestíveis, estava um peculiar floco de neve: Flocolino - que algumas vezes se autodenominava Flocolicious - era mais um daqueles flocos de neve que nascia e agora olhava a cidade lá embaixo, torcendo para cair em algum lugar em legal. "Eu vou virar um boneco de neve! Yay!" A confusão de flocos de neve era quase infinita: Dramático falava que iria cair no esgoto - "Eu sou sempre tão azarado, mimimi!", Gelado estava espirrando - "Atchooooooo!", Esquizofrênico estava bem... esquizofrenando, achando que era um meteoro de gelo que iria obliterar a cidade - "Curvem-se perante o Meteoro de Gelo!". Já o Redondo - o maior floco de neve - estava comendo a nuvem de algodão doce para crescer ainda mais - "Tem gosto de frango!".

O vento soprou, a nuvem balançou e logo estavam todos os floquinhos de neve caindo, junto com alguma água, pedras de gelo e muitas outras coisas. Eles gritavam, dançavam e choravam de alegria. Flocolino correu pelo ar, deslizou em círculos, bateu em outro floco de neve, viu seu amigo Esquizofrênico gargalhando que iria explodir tudo, enquanto o Dramático chorava e o Gelado mudava a cada rota após um espirro. Redondo, por sua vez, batia em água e engolia outros flocos de neve.

Estranhamente, todos eles foram rumando ao mesmo lugar, levados pelo vento e pela sorte. Caíram perto de uma casa, onde seria o quintal e encontraram uma infinidade de outros flocos de neve. Dançaram felizes e contentes e fizeram planos. Flocolino queria ser um boneco de neve, mas apenas um pequeno grupo dos flocos tinha essa sorte. O resto era pisado, esmagado, tinha sal jogado em cima e depois escorria pelo ralo. Mas Flocolino não desistiu. Mesmo que a vida dos flocos de neve fosse difícil, ele tinha sonhos e personalidade.

Flocolino começou a girar de um lado pro outro, acumulando neve, olhando para a casa do lado e esperando que alguma criança saísse de lá. Então o terremoto surgiu e ele percebeu que duas crianças corriam na sua direção, dançando na neve, pulando de um lado pro outro, fazendo bolas de neve e se divertindo. Um sorriso surgiu em seu rosto quando a criança fez uma bola de neve envolvendo-o e jogou-o em um monte de neve. Logo estava envolto por outros flocos de neve que, lentamente, agora tomavam a forma de um boneco de neve.

"Serei um boneco de neve, serei um boneco de neve!" Ele gritou feliz, e logo percebeu que todos os seus amiguinhos estavam do seu lado, sendo jogados de um lado para o outro. Riram, cantaram sobre a neve fofa e o gelo frio, enquanto o boneco de neve se formava. Flocolino e seus amigos subiram, para ficar no topo da cabeça do boneco de neve.

A grande magia acontecia agora: O Boneco de Neve precisava de uma "consciência". E isso era conseguido na base da luta entre os flocos de neve, entre os que queriam, é claro. Era muito mais simples descansar e ficar ali. Mas Flocolino queria explorar o mundo, então, ele decidiu lutar. Lutou e lutou contra muitos flocos de neve, na arena suprema do flocos de neve (vulga barriga do boneco de neve), tendo que vencer outras centenas de inimigo. No fim, ascendeu ao posto de Floco Mestre. E o Boneco de Neve Flocolino nascia ali.

O Boneco de Neve Flocolino tirou foto com as crianças, brincou com elas, tomou bolas de neve no rosto mas, no fim, foi poupado da destruição das crianças. O frio havia ficado pior e, por isso, elas entraram na casa delas, antes de dizimá-lo. Agora, Boneco de Neve Flocolino estava do lado de fora e podia andar de um lado para o outro - era só ninguém ver um monte de neve andando que estava tudo bem. Tinha seus bracinhos de graveto, seu nariz de cenoura, seu cachecol maroto e seus olhos de alguma coisa negra cujo autor esqueceu o nome, sem contar a sua cartola de gentleman das neves.

Andou pela cidade, correndo pela noite, vagando e vagando. Olhava dentro das casas e as pessoas, na maioria, estavam em seus computadores ou assistindo televisão. Foi numa dessas televisões que ele viu um programa com mulheres com pouca roupa, em um local quente. "Brasil", era o nome do lugar. Não pode negar que se apaixonou pelo lugar. Porém, aquilo era contra a sua natureza: Como poderia um Boneco de Neve sobreviver ao calor de um país tropical?

Correu, triste, chorando e suas lágrimas se tornaram gelo. Queria ir para aquele país caliente e carismático! Por que deveria ficar preso em um mundo branco e de neve? Pensou que, invariavelmente, ele derreteria e deixaria de existir com o fim do frio: Ele tinha um prazo de validade. Não valia a pena então seguir o seu sonho? Não valia a pena se sacrificar por ele? A neve caía envolta do seu corpo, naquela noite gelada e fria. Pensou, pensou e pensou. Como ele poderia viajar até lá?

"Fácil! Você pode pegar um voo até lá!" Ouviu aquela voz do seu lado. Virou-se e viu um filhote de cachorro. Um filhote de husky siberiano, preto no branco que fitava-o com seus grandes olhos negros. "Sou o cão leitor de mentes, Hus! Olá Flocolino da Neve! Eu te conheço faz cinco segundos, mas já te acho irado! Coça a minha barriga?" Comentou, virando sua barriga para receber carinho. Flocolino coçou-a, surpreso. Um cão que lia mentes. Noites natalinas eram mágicas.

Correu com Hus na direção do aeroporto e logo pularam a cerca, vendo os aviões que iriam decolar. Subiram em um e entraram na geladeira. Ficaram escondidos lá durante longas horas. Foram para um lado e para o outro, jogados loucamente, ao ponto que Flocolino perdeu até o nariz, esmagado. Quando o movimento finalmente parou, Hus foi o primeiro a sair.

"Vou lá fora ver, fica tranquilo aí. Hus em missão de reconhecimento!!!" E saltou para o lado de fora. "Calor de cachorro!" Gritou, logo ao sair. Os minutos passaram vagarosamente, mas logo uma batida soou na geladeira. "Sou eu, o cão mais sinistro de todos! Estamos em um local quente demais! Trouxe um isopor com gelo, sobe aí!" Ele comentou. Flocolino subiu no isopor e afundou-se ali, sentindo a água desmanchar parte do seu corpo. "Hus, eu gostaria de lhe agradecer... Mas, por fazer o meu sonho, minha vida acabará aqui. Obrigado por tudo, amigo!" Flocolino comentou, sabendo que ali seria o seu fim.

"Relaaaaaaaaaaaxa! Você vai terminar a sua vida feliz! Fico contente por ter te ajudado. Segure-se firme, vamos nos divertir!" Gritou Hus, puxando o isopor com os seus dentes - tinha uma fitinha para ele segurar - e correndo loucamente. Correram, correram e Flocolino sentiu o vento quente no seu rosto. Sentiu o espanto das pessoas. Sentiu seu rosto começar a derreter, mas seus olhos observaram tudo. O sol quente. As pessoas. O calor batendo em suas bochechas. Abriu um sorriso, agradecendo ao Hus por cada momento.

E então viu aquele chão dourado que se encontrava com o mar azul na espuma branca. Seus olhos abriram-se imensamente ao ver a praia. Seu corpo já havia quase derretido completamente e agora ele e Hus estavam no meio da areia. Saltou para fora da caixa. Sentiu os raios de sol atacarem o seu corpo. Lentamente sumiu. "Obrigado Hus!" Gritou, enquanto o cão latia a sua volta, pulando, rindo e se divertindo imensamente. Havia realizado o sonho de um amigo e isso era o suficiente para ele.

Naquele momento, porém, Flocolino descobriu a sua real identidade. Ele não era um Floco de Neve. Ele era um Grão de Areia. E, ali, naquela praia, ele encontrou outros Grãos de Areia. Seus irmãos. Perdidos. Deu mão a todos os outros e logo ali surgia o Flocolino das Areias. Era um Boneco de Areia! "Oi Hus!" Gritou, enquanto o cão se surpreendia com o Boneco de Areia que ali surgia. Seu corpo agora era dourado, seus braços e pernas feitos de areia. "Caramba, que legal! Agora você é de areia! Tome cuidado com os gatos! Mas eu te protejo deles! Eu mordo gatos no café da manhã!" Hus saltitou a sua volta, latindo alegremente. E assim Flocolino e Hus puderam aproveitar o verão daquele país quente, apreciando o sol, o calor e as mulheres - e as cachorras [não confundir com a variação mulher-cachorra, por favor], no caso do Hus - com pouca roupa. E, claro, umas caipirinhas de vez em quando!

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Acho que vocês são capazes de entender a magnífica mensagem e lição de moral existente na historinha! Quando acharem-na, me avisem!

Feliz Natal para todos! :D

sábado, 22 de dezembro de 2012

Contagem Regressiva

30 dias.
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14 dias.
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7 dias.

Quando você percebe, dá para contar com as duas mãos quantos dias faltam: 6 dias.

Ansiedade? Acho que chegou num ponto que tentar controlá-la é como tentar apagar um incêndio usando gasolina!

A mente começa a viajar loucamente pensando em como será lá, como será a neve, como será o alojamento, como serão as pessoas do alojamento, como será a cidade, como será a vida na cidade... Já era, qualquer concentração vai pro espaço.

É uma sensação um tanto quanto estranha. Não poderia ser diferente: Quantas vezes eu já viajei para outro país, para ficar um ano lá, tendo que me adaptar a uma outra cultura, a um outro mundo? NUNCA. Mas "medo" não está presente: Tenho absoluta certeza que conseguirei aguentar os desafios e superá-los. Vou crescer, vou ficar mais forte. "Ansiedade" é realmente a palavra. Aquela vontade de antecipar o futuro, de trazê-lo para perto.

Por isso eu me foco no "presente". O que tiver que acontecer lá, vai acontecer lá! Quero aproveitar isso aqui. Quero correr, quero ir malhar, quero fazer posts no blog. Não quero ficar sentado, esperando o que só o tempo vai trazer.

Já me falaram que, se não criamos expectativas, não nos decepcionamos. Essa é a mais pura verdade, no fim. Então, não quero esperar qualquer coisa de lá. O que acontecer eu vou aproveitar e vou fazer ficar ao meu favor.

Um ano. 365 dias. Neve, frio de verdade. Como eu vou voltar? Não tenho a mínima ideia, mas sei que não serei o mesmo. Bom, ruim? Acho que será bom, muito bom. Mas pretendo fazer um post sobre isso ainda...

Vejo agora que o meu esforço vai finalmente culminar em um evento. Despedidas feitas, "até logo" ditos, lições aprendidas. Hora de abrir as asas, virar as páginas e voar.

Voar alto, porque o chão não é o meu lugar.

VIII - A Força


Essa é uma das minhas preferidas! A Força! Essa aí pode ser VIII ou XI e eu não sei o motivo, então, habilmente pularei essa parte. Uma coisa que eu descobri enquanto lia sobre ela na Wikipedia é que ela era antigamente denominada "Fortitude". "Força", porém, me parece um nome muito mais legal...

Não, não estamos falando de "força bruta" nesse momento. O importante aqui não são quantos quilos você é capaz de arrastar ou o quão longe você consegue arremessar um objeto. Não é UFC. Força bruta pode ser importante - destruir paredes com socos deve ser o máximo! - mas o mundo não se resume a uma "porradinha de Dragonball Z", infelizmente!

Olhem mais uma vez para carta. Existe uma mulher segurando um leão (sim, o bicho ali é um leão, reparem na juba). Um leão, nessas "paradas místicas" é sempre um símbolo de força, realeza e tal... e ela segura um leão com um "colar de flores" (reparem nas florzinhas em volta da juba dele). Um frágil colar de flores. Desde quando um colar de flores segura qualquer coisa? Acho que um colar de flores não consegue sustentar nem o seu próprio peso!

É exatamente isso que a carta representa, no fim. Força. A mais pura e simples força. O domínio da brutalidade pela... força. Não a força bruta, mas a Força Interna. Determinação. Vontade. Autocontrole. Por que eu gosto tanto dessa carta? Porque ela demonstra que a "força de verdade" não está do lado de fora, não está nos seus músculos ou em um objeto... ela está dentro de você. Adormecida, talvez, mas querendo acordar.

Não depende dos outros. Não depende de nada de fora. Depende única e exclusivamente de você. Soa meio auto-ajuda? Talvez seja. Mas ninguém pode te ajudar, só você pode se ajudar. Então se ajude, caramba! Ou tu vai esperar que algum santo lhe estenda a mão? É bom esperar deitado.

Serenidade, Compreensão, Disciplina são outras palavras chaves. Já agiu tendo total convicção de alguma coisa, sabendo que que do começo ao fim quais seriam os resultados? Estabilidade, Perseverança, Suavidade. Acho que aí entra a parte da "Fortitude". Você precisa ter a "Força" para aguentar cada um dos obstáculos em seu caminho, superá-los e continuar rumando ao seu objetivo.

Moral da história: A Força está dentro de você. Use-a, antes que a usem por você. Atropele o mundo, para não ser atropelado. É matar ou morrer!

Então, que tal usar parte dessa forcinha que existe dentro de você?