terça-feira, 27 de maio de 2014

XXI - O Mundo [O Fim do Intercâmbio]



O Mundo representa o fim da jornada do Tolo. No Tarot tem o sentido de "completude", de "sucesso". Eu prefiro ver essa cartinha de um modo diferente, talvez distorcendo um pouco o significado dela. O mundo representa o "balanço final". Um timing apropriado, considerando o fim do processo de intercâmbio e a volta para casa. O momento em que uma jornada termina para que, obviamente, outra possa começar de volta. Quando os erros deixam de ser importantes e se transformam - na teoria - em lições e que as boas memórias ficam guardadas em algum lugar. A hora de analisar e compreender os erros e acertos, pegar as últimas lições e aprender um pouco mais.

O Tolo tem que passar por diversos obstáculos para chegar nesse ponto, pois não existe lição aprendida sem sacrifício, já que a fim de obter algo novo, deve-se pagar por algo de mesmo valor. O que importa no fim não é onde, você chega, mas o caminho que você precisou para chegar até lá. Se cada um de nós possui limitações derivadas da nossa genética, do nosso ambiente ou simplesmente das nossas mentes, é o nosso dever nos aproximar o máximo que conseguirmos disso. Se limites são bobagens - e essa visão de 'sem limites e vou até onde conseguir' pode mesmo ser tentadora - então o objetivo é não ficar parado e ir o mais longe que conseguir.

Então, após os 12 meses de intercâmbio, o retorno para casa é algo iminente. Em algum momento, você vai sentir saudades, mas, como alguém que sabe que a jornada deve continuar, a coisa mais importante que você pode fazer para si mesmo é evitar olhar - muito - para trás e focar no aqui e agora. Afinal, se for parar pra pensar, o tempo que se passa do lado de "fora" da sua realidade pode ser considerado uma "ilusão" - entretanto, sem dúvida alguma, os laços formados nesse tempo, se verdadeiros, não serão ilusão alguma. 

E então você retorna. E acho que é impossível não ter aquela sensação de "será que eu aproveitei o suficiente?" e "será que eu fiz tudo o que eu podia?". Você pensa os dias que deixou de viajar ou que talvez podia ter puxado aquela matéria a mais e reflete e pensa e gasta algum tempo nesse saudosismo. 

Mas o fim é isso: deixar-se flutuar por um saudosismo, sabendo que aquela jornada teve o seu fim. Porém, não flutuar para sempre, mas cada vez menos, até abrir os olhos de vez.

E então você fecha a porta, deixando as últimas memórias se assentarem na sua cabeça. Você lembra do rosto de algumas pessoas e dos muitos eventos. Você lembra das viagens, elege as suas melhores e se preocupa em como vai contá-las para aqueles a sua volta. 

Não, você sabe que não vai seguir aquele caminho mais. E isso é capaz de lhe trazer paz. O Tolo enfrentou obstáculos, se feriu, se superou e no fim saiu de cabeça erguida. Ou pelo menos com um sorriso no rosto.

Porque, assim como o anjinho que flutua na imagem, você pode se sentir completo após sua jornada e se sentir satisfeito.

E renovado para a nova jornada que está na sua frente.

sábado, 12 de abril de 2014

Sobre Diligência

Desde que eu voltei do Canadá, eu percebi umas coisas estranhas em algumas pessoas. Isso aumentou gradativamente até se sedimentar na minha mente e precisar ter escrito. Uma parte do meu cérebro diz que eu me tornei mais chato (mais do que eu já era) enquanto outra diz que as pessoas que eu convivia que não amadureceram como eu amadureci.

Um dos principais pontos que me incomodou o intercâmbio inteiro foi o fato de ver indivíduos que tinham a mesma bolsa que eu e que estavam no mesmo programa simplesmente "pouco se importando" com o programa em si. Não vou entrar no mérito do quão eficiente ele é, vou entrar no mérito do "eu vagabundeei porque eu quis". Sim. Eu chuto fácil que 70% não levava a sério a sua "viagem sem fronteiras". Não vou citar o garoto que fazia medicina e estava lá cursando ciências (nada a ver) e ainda pegava matéria de calouro, muito menos o garoto que fazia física, mas achou complicado pegar as matérias que podia cortar e decidiu fazer introdução a ciência. O problema é outro: É voltar ao Brasil e ver que pessoas bem mais próximas de mim adotam um comportamento similar.

Como? Vamos lá...

Eu costumo dizer que "Eu tenho um sonho" (parafraseando vocês-sabe-quem, por favor) de que "um dia eu estarei em um grupo que todos trabalhem". Sim, você pode dizer "porra Léo, é óbvio que num grupo sempre vai ter um vagabundo!" ; sim, isso até pode ser verdade: mas isso tá certo? Eu estou no meu penúltimo ano da faculdade, fazendo grupo do final das matérias e ainda vem um desgraçado (ou quem sabe dois, para ficar mais animado, ou até mesmo três!!!!1!) ficarem de encosto e pouco se importando.

A questão é simples: Somos um grupo ou indivíduos? Onde está o senso de dever, a diligência ou simplesmente a ética de "já que combinamos, vamos fazer nossas respectivas partes"?

Você pode responder "ah, mas se eles fazem nada, o problema é deles". Eu respondo: Claro que não. O problema é meu, totalmente meu, também. Afinal, no fim do dia, eles ficarão com a mesma "nota" que eu, mesmo que não tenham adquirido o conhecimento ou a prática. Mas eles se propagarão sem esforço algum. E qualquer meritocracia que possa existir vai pro espaço, simplesmente porque as pessoas são incapazes de fazer a sua parte.

É difícil? Eu acho que não. Eu já ouvi desculpas dos mais variados tipos mas, no fim, vejo que quem quer, faz. Sem desculpas, sem demoras, sem enrolação. Vai lá, faz e fim. Ponto final.

Então aí entra a diligência, uma das poucas boas características que eu acho que tenho: Faça a sua parte, sem se importar se a outra pessoa está fazendo ou não. Mas, no fim, faça a sua parte e se importe também para deixar tudo nos eixos e fazer as coisas andarem. Desculpem a generalização, mas se tem uma coisa que eu percebi é a porcaria do "brasileiro quer levar vantagem em absolutamente tudo", ou, melhor dizendo, pessoas em geral querem se comportar desse modo. E sabe como isso muda? Te garanto que não vai ser "escolhendo o menos pior" e "furando a fila do bandejão", mas sim fazendo a sua parte, pedaço por pedaço e, quando tiver a oportunidade, dar o exemplo e agir de um modo íntegro.

Sim sim, ver uma figura de autoridade sendo nada ética/diligente é causa sim de raiva e indignação, o que é mais um motivo para você quebrar essa corrente e fazer diferente. Porque, aparentemente, ser diferente e fugir da mediocridade é uma das tarefas mais difíceis do mundo hoje em dia.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Namoro a distância, parte I



Logo no começo do meu intercâmbio, tenho que admitir, aconteceu algo totalmente fora dos meu planos: eu me apaixonei. E, por estar fora dos meus planos, eu demorei para reconhecer o que tinha acontecido. Eu não tinha conhecido "uma" garota, mas A garota, com letra maiúscula que, naquele tempo, se tornou não apenas namorada, mas aliada, companheira, amiga, confidente e amante. 

Eu devo à ela grande parte do crescimento que eu tive naquela jornada e devo o seu companheirismo tanto nas nevascas e nas viagens pros mais diferentes lugares. Devo à ela as noites bebendo vinho em boa companhia, as andanças sem rumo e as visitas aos museus. Devo à ela as músicas e filmes descobertos, os presentes trocados e as carícias ao longo do dia. 

A consequência disso tudo é essa vontade de encarar o (des)conhecido "namoro a distância". Ela é de São Paulo, eu do Rio de Janeiro. A ponte aérea existe e poucas horas são o que nos separam. Simples? Eu duvido!

E então começam os "talvez" do post que uma pessoa pode enfrentar:

Talvez, talvez, você levante de manhã e a primeira coisa que você queira fazer é dizer "bom dia!" para ela. A não importa muito quando ela vai responder, o importante é que ela saiba que você já está ali (talvez com um olho aberto e outro fechado, um pouco de preguiça e ainda vestindo o seu pijama) para conversar. O mesmo acontece quando você decide dormir com o seu "boa noite!".

Talvez você queira conversar com ela o dia inteiro. E talvez o assunto acabe algumas vezes, transformando a simples falta de assunto em assunto e gerando algum estranho paradoxo em que uma conversa não acaba - ela apenas muda para outra, e outra, e outra, mantendo esse organismo quase vivo "a conversa" em eterna mutação.

Talvez ela nunca deixe os seus pensamentos durante todo o dia. Talvez você pense o que ela está fazendo, mesmo quando você está fazendo as suas coisas. Você pensa se ela está com calor ou frio, se ela tá com sede ou cansada.

Talvez você conte os dias para poder vê-la mais uma vez. Porque conversar com ela por um app ou usar do Skype para ver o seu rosto não é o suficiente, mas você tem que aguentar. Porque você sabe que nada, absolutamente nada, tem o mesmo valor que o sorriso ou a risada dela. Talvez os dias demorem para passar justamente por você ansiar por esses momentos.

Talvez você planeje. E replaneje. E jogue os seus planos foras para criar novos. Você olha os calendários e espera achar os longos feriados. Você praticamente aprende para o que serve um calendário. E procura o seu e o dela para juntar em uma coisa só.

Você vai parar para pensar nos desafios, nos obstáculos, mas, após pensar pouco tempo, tudo talvez pareça irrelevante em face do que vocês estão lutando. A aposta é grande.

Mas, dando espaço para a realidade, a verdade é que os desafios existem. Existe insegurança, existe distância, existem os seus medos, existe o orçamento limitado, os calendários diferentes e o desgaste.

Existe também, porém, a confiança, a proximidade, a esperança, as economias (e trabalho!), as pontes aéreas e a renovação.

No meu caso, são todos verdade.

A verdade é que você sabe o valor que ela tem, o quanto ela é capaz de te fazer feliz e te fazer sentir bem. E tudo isso te dá vontade de superar os obstáculos, porque a ligação que existe faz você querer ser "o cara" para ela. Não apenas seu namorado, mas sua companhia, seu homem, amante, amigo e confidente.

Sei que ainda estamos no começo, Isabela, mas já conto os 13 dias que faltam para te ver. Saiba que o coração desse Tolo é seu.


Porque viajar não torna você melhor que ninguém.



Esse post é para quem adota o comportamento "High and Mighty" (também conhecido como "Holier than Thou") após a sua "viagem", não importando sua duração e lugar, simplesmente por ter viajado.

Dizem que a gente só sabe o valor de uma coisa em comparação com a outra. Dizem que sua percepção se baseia em referências. Lembre-se disso, querido leitor: referências. Referências são sua base, suas experiências passadas definem isso. O que você leu, escutou, entendeu, aprendeu, tudo isso conta para que você tenha referências e desenvolva o seu gosto.

Então, o que isso tem a ver com viajar?

A visão de "viajar" (e posso dizer com certeza de "sair em intercâmbio") consiste em uma espécie mística de "jornada de crescimento", onde você vai lidar com outras culturas, conhecer novos lugares, aprender sobre história, arte, pessoas e, se você tiver sorte, aprender sobre si mesmo. Vai ser o momento de enfrentar desafios, lidar com outro clima, com o desconhecido e todas essas coisas que puxam você para fora da sua respectiva zona de conforto. Parece que simplesmente viajar vai fazer você ir de um modo e voltar de um modo completamente diferente. Entretanto, querido leitor, vamos grifar o óbvio: Essa impressão está completamente errada. A verdade é mais cruel do que simples sonhos dourados.

Leia o título. Leu? Conseguiu ter alguma ideia de que caminho vamos seguir?

Aqui vai uma verdade: Não, você não se tornou "melhor". Pelo contrário, há boas chances de você ter se tornado alguém "pior". Você pode ter ido a monumentos históricos, você pode ter conhecido infinitas pessoas de infinitas origens, entretanto, se você não decidiu jogar velhos hábitos fora por causa disso e adotar novos, se você não decidiu se renovar, se você não decidiu ser mais maduro, se você não decidiu observar, aprender e comparar, você não vai ter crescido. Vai ter sido o mesmo de ter ficado em casa, assistindo televisão e indo todo dia no mesmo barzinho.

 A pergunta é: No fim, o que você vai levar da sua jornada? Os momentos serão apenas brisas frescas que atingiram o seu rosto no passado ou tijolos que efetivamente construíram alguma coisa? As bagagens serão apenas roupas e eletrônicos ou ela conterá algum conhecimento novo? Você foi capaz de fazer os positivos da cultura alheia de influenciar? Você foi capaz de realmente fazer amigos ou apenas conheceu as pessoas?

Você não se torna melhor simplesmente porque você viajou. Você não se torna melhor porque você acumulou fotos em praias, porque você jogou em cassinos, porque você foi em atrações turísticas. Você se torna melhor pelo modo que você deixou isso tudo te influenciar! Você se torna melhor pelos laços formados, pelo obstáculos superados (ou não), pelos sacrifícios e pelas escolhas. A questão não é de causa então efeito. É, se você permitir, causa e (talvez) efeito.

Você não deve seguir uma lista pré-determinada de "30 coisas para fazer antes dos 30" e nem "40 lugares para visitar antes do 40". Nada disso define quem você é (no máximo define quem escreveu ou define que você é facilmente influenciável), nada disso é tão pessoal quanto o que você quiser fazer de "diferente" e "novo". Isso é tão ridículo quanto fazer alguma coisa porque "todos fazem". Ou quanto é viajar para os mesmos lugares que todos viajam e fazer o que todos os outros fazem...

Não existem fórmulas mágicas mas, para nossa sorte, existe uma coisa chamada "vontade". 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Phoenix Wright (OBJECTION!)











Não sei vocês, mas sempre quando eu via algum filme policial com toda aquela cena no tribunal da testemunha, o réu e o advogado, eu ficava alguma coisa pilhado imaginando a tensão que deve ser fazer aquilo em "tempo real" (vamos considerar que não existe dramatização no meio e que a realidade é assim mesmo, hahaha!). Então, um dias, eu decidi chamar um joguinho "Phoenix Wright". A essência dele? Você é um advogado - "de defesa", nunca o procurador - e sempre tem algum em que todas as chances estão contra você, mas, por sorte, você é Phoenix Wright, Ace Attorney e vai "desenrolar" todo o caso.

A história do primeiro começa com Phoenix Wright e sua mentora em um caso - oportunidade para que todas as informações da mecânica do jogo são passadas para você - em que ele ainda é alguma coisa novato - afinal, você, jogador, também é um novato! Nunca saberíamos, porém, que logo depois as coisas mudariam bruscamente na vida desse advogado.

A premissa é bem simples, se for parar para pensar, entretanto, é o exato oposto de como os casos são montados. Sempre nos jogos (e são uns 6 até onde eu sei, até hoje) a dificuldade das "pistas" vai aumentando progressivamente. O sistema é bem simples e os casos se dividem entre cenas de investigação - e aí você colhe informações, evidências e entende o que tá acontecendo - e cenas no tribunal - onde o objetivo é contra-atacar as acusações e analisar as testemunhas.

As cenas de investigação tem elementos introduzidos caso a caso. Primeiro, por exemplo, a gente aprende que sempre quando alguém dá um tiro com uma arma de fogo, sempre sobra resquícios de pólvora na roupa. Então, no caso que a gente suspeita de armas de fogo, a gente sempre levanta essa possibilidade para analisar as testemunhas. Outro exemplo é prestar atenção se a testemunha é destra ou canhota. Pode parecer estúpido, mas são os pequenos detalhes que fazem o jogo virar! E claro, não podemos esquecer dos sidekicks que vão desde o Detetive até a Cientista que ajudam a colher pistas e dão outras dicas. Desse modo, a investigação evita ser entediante, mas também não é extremamente fácil.

Entretanto, é no tribunal que a coisa pega fogo! Você, o procurador e a testemunha, em uma Cross Examination procurando os buracos no testemunho e a verdade. É a hora clássica de gritar...


... e mostrar para a testemunha que ela TEM que parar de mentir e falar a verdade! E claro que muitas vezes os seus gritos de "Objection!" vão ser combatidos pelos mesmos gritos do outro lado, então se prepara para não apenas atacar a testemunha, mas segurar sua posição e se manter firme no caso, antes que o veredito contrário venha ao seu alcance!

Além disso, cada jogo contém elementos únicos ao mesmo. Nos jogos com o nosso advogado de defesa preferido, em um momento podemos "detectar" (poderes míiiiiiiiiiiiisticos!) quando indivíduos - fora do tribunal - estão escondendo alguma verdade. E então é o seu objetivo "interrogá-los" meio que indiretamente para fazer eles falarem e contar tudo - meio que um clássico jogar verde e colher maduro. Em outro, o personagem adquire algum tipo de percepção extremamente detalhada, podendo perceber quando um indivíduo está mentindo - algum tipo de 'vício' no movimento ao estilo de piscar involuntariamente - e então...

... você tem a testemunha encurralada em contar uma mentira de modo ruim e sabe exatamente onde atacar.

Não obstante, nós também temos os personagens que são realmente explorados no jogo. Desde a sua ajudante e aprendiz de médium, passando pelo detetive até o procurador-rival-melhor-amigo, todos eles possuem seus modos de pensar e peculiariedades, fornecendo brilho ao jogo, ao invés de "simplesmente estarem ali".

Por isso tudo eu recomendo Phoenix Wright para aqueles que procuram um jogo que utiliza do cérebro, ao invés de simplesmente apertar um botão constantemente. É um jogo para degustar e aproveitar, ao invés de simplesmente passar por ele correndo.

Deixo para os curiosos um trailer com "fandub" (fãs fazendo a dublagem) do quarto jogo da série: Apollo Justice. Pessoalmente, eu achei que ficou de excelente qualidade, ainda mais com as vozes cheias de emoção mostrando as frases dos personagens. Nos vemos no tribunal! ;D


"The only thing that matters is the truth. 
Everything you need lies in the information you have in your hands."


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Jogos Vorazes & Battle Royale


É altamente provável que você já tenha ouvido falar do primeiro mas não do segundo. A não ser que você tenha ouvido eu falar do primeiro, porque aí eu invariavelmente falo do segundo também, afinal, é legal comparar uma obra "ocidental" com uma "oriental" e ver as diferenças de estilo e do modo como a história é contada. A intenção aqui não é mostrar elevado saber e notável conhecimento, no máximo fazer quem leu o primeiro também ler o segundo (se aguentar!), porque pode ser sempre divertido ler o mesmo "estilo" de história por duas visões diferentes. Então... Vamos lá!

Hunger Games: Os "Jogos Vorazes" conta o sofrimento a trajetória de Katniss Everdeen ao longo dos infames Jogos de Capitol em sua busca por sobrevivência e respostas. Como não quero fazer uma sinopse, vou adiantar aqui: Katniss se vê obrigada a tomar decisões, decidir lados e até mesmo o rumo de como as coisas vão acontecer, com a história tomando proporções imprevisíveis (o que é um ponto bem positivo), ao mesmo tempo em que ela tem que se preocupar com as consequências de suas ações para familiares (afinal, desde o começo ela quer proteger sua querida irmãzinha Primrose) que estão constantemente na linha de fogo pelos "poderes". Não é uma história de um "final perfeito", mas de um final "real" e por isso eu gostei dela.

Pessoalmente, esperava uma história bobinha, então alguns fatos me surpreenderam de como aconteceram. Em alguns outros pontos, porém, o que estava para acontecer era alguma coisa previsível. Os momentos nos jogos são bem emocionantes, ainda mais palo fato da história ser contada em 1ª pessoa, oferecendo um recurso de agilidade e subjetividade no desenrolar da história. Os Jogos são como os nomes dizem: Um massacre entre basicamente crianças na busca pela sobrevivência. Uma coisa que eu não gostei (pelo fator 1ª pessoa, claro) é que pouco sabemos dos outros personagens até que eles apareçam, falem umas doze palavras e morram (afinal, não tem como todo mundo escapar dos jogos, né).

No primeiro livro, eu já tinha visto o filme antes (HUEHUEHUE), então, sabendo mais ou menos o que esperar, a leitura pode ser bem suave, prestando atenção nos detalhes e tentando entender no que raios Katniss estava se metendo. Nesse ponto dá até pra elogiar o filme: Eu não consigo lembrar de muita coisa que perdeu o sentido no cinema, deixando a história bem engatilhada para o segundo.

O segundo e o terceiro, na minha opinião, formam ótimos livros, pois conseguem desenvolver a história por um caminho que vemos as coisas tomando proporções gigantescas (guerra!) quando a Katniss começa a enfrentar uns dilemas bem interessantes. Eu achei ela meio boba e sem muita ação, se deixando ser arrastada muitas vezes, mas isso não tira o mérito da história. Eu recomendaria quem não leu ler, pois é simples, fácil e rápido. No fim valeu a pena. :)

Agora, vamos ao segundo.

Battle Royale: Acho que quando os asiáticos decidem fazer uma história, eles "apelam" muito mais que suas versões ocidentais. É como uma "carta" branca pra ser bruto. Ainda mais quando o mangá é para "adultos" como Battle Royale é (ao contrário dos Jogos Vorazes, que é claramente um livro para uma faixa etária mais jovem). A história, simples, segue o padrão "ditadura de algum lugar" (no caso Japão) que pega "crianças" (no caso uma turma de ensino médio) e bota para se matar em uma arena (no caso uma ilha mesmo).

A parte que eu acho legal aqui é como os 42 personagens tem seus momentos (okay, quase todos eles), desde do "bundão protagonista que não sei muito o que fazer e quero matar ninguém", passando pela " 'vadia' da sala que sofreu abuso sexual [olha só, que legal! A personalidade da garota é contada e explicada para justificar seu comportamento insano!]" indo pelo cara que luta artes marciais até o psicopata que sofreu um acidente suas emoções. Desse modo, a gente conhece o background dos personagens, o que dá um brilho a mais na história. E claro que, para isso, ela é muito mais extensa e não é em primeira pessoa, logo, é mais lenta.

A brutalidade também é multiplicada. Como temos imagens, dá pra ver aqueles tiros explodindo o cérebro dos alvos, ou o pessoal sendo cortado e sangue jorrando. Não apenas isso, mas o terror psicológico também aumenta muito, com a dramatização de indivíduos até cometendo suicídio (afinal, eles nem treinamento receberam quando foram escolhidos, até onde eu me lembro) para não fazer parte do jogo. Algo muito mais... Humano.

A influência de algum "Game Maker" (carinha que controla a arena, no caso dos Hunger Games) também é menor e não existem criaturas insanas para matar os participantes. Só eles mesmos, os seus desespero ou algum deslize nas regras.

Se eu recomendo? SIM! TODOS os capítulos, incluindo aqueles vinte do final que o personagem X tá para matar o Y e tem todos os flashbacks da galera que já bateu as botas! Ou a lutinha de artes marciais com toda a filosofia de "momento". Ou quando o psicopata pega a sub-metralhadora e decide fazer a limpa... Enfim, deveras divertido. :)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Broadway - Le Fantôme de l'Opéra

Phantom of the Opera Cover.jpg

Eu tive, alguns dias atrás, a oportunidade de ver um dos tão almejados "Espetáculos da Broadway". E dá pra dizer, com boa margem de erro, que só isso valeu a pena a viagem toda. Claro que depois eu tive que passar por um aperto gigantesco para voltar para o meu hotel feliz e contente, mas isso é uma outra história (que envolve os malditos taxis de NY).

Ahem, de volta ao espetáculo. Desde o começo, dá pra perceber que a proposta da coisa vai além do básico. Querendo ou não, esses americanos malditos sabem como fazer uma festa decentemente, ou pelo menos criar toda uma atmosfera. O nome "Broadway" eu acho que já tem um sentido por si só, mesmo que você fosse lá ver apresentações de menor tradição. A localização do local amplia essa atmosfera, já que no outro lado da rua, por exemplo, tinha o teatro do Mamma Mia. Aí, quando você olha, os dois prédios são completamente diferentes. Não são apenas uma fachada bonitinha que dará entrada ao teatro e tal. A fachada do prédio dO Fantasma da Ópera remete àquela arquitetura antiga, lá dos 1850 dde Paris, onde, também em um teatro, a história se desenvolve.

Como estou longe de ser algum crítico de arte, não vou fazer comentários sobre enredo, atuações ou coisas do tipo. Quero falar sobre a minha experiência. Eu fiquei impressionado como a forma de todo o espetáculo se desenvolveu. Em nenhum momento, nenhum maldito momento, os atores ficaram parados. Eles tinham a capacidade de se expressar de uma maneira absurda, dando grande fluidez para a história. Os efeitos especiais potencializaram o efeito da peça, assim como a transição de cenários era tão simples e rápida que a história tinha que ser absorvida em velocidade ou os detalhes iriam se dispersar no ar. 

O momento mais impressionante foi quando a galerinha do teatro decidiu acender umas quatro chamas verticalmente. Além do susto com o barulho e a súbita mudança de claridade (e aí tu fica cego por uns segundos também, de brinde) o calor varreu o teatro. Podem acreditar, porque eu não estava tão perto e já senti a onda quente no meu rosto, eu imagino o cara que tava na primeira fileira. Ele deve ter tostado um pouco.

A música... Bem, sem palavras. Chega um ponto em que eu até pensei que rolava algum tipo de playback (afinal a cantoria rolava mesmo com um ator deitado no chão e se rastejando) tamanha era a capacidade dos atores de cantar sem problema algum, mesmo se eles estivessem sentados ou deitados, ou correndo ou pulando. A trilha sonora por si só é um espetáculo a parte.

Se eu recomendo? Sem dúvida alguma recomendo. Mas só acho que vale mais a pena ver as peças com mais tradição antes das mais "pop", mas acho que isso fica mais a gosto do freguês e de que tipo de coisa ele quer ver. Mas sugiro se hospedar o mais perto possível, para não depender de transporte algum (mas aí fica caro, o que indica que você tem que economizar dinheiro). Algumas vezes, gastar mais é melhor que passar [muito] sufoco.

De bônus: Eu confirmei que pegar um taxi em NY é um coisa impossível mesmo. E quando você pega, eles não usam o taxímetro e cobram o dobro do preço da corrida normal. Acho que faz parte de ser um turista. Pena que eu também sei andar de ônibus. :)